A Brisa

Para “A Brisa”, eu escolheria uma epígrafe curta, melancólica e que prepare o leitor para a metáfora do poema: “Algumas pessoas não chegam

17 de agosto de 2026

A Brisa

Igual a um raio de sol,
veio a mim uma brisa leve,
passando pela janela
em tempos gélidos e sem graça.

Um gargalhar de sensações boas,
uma viagem ao desconhecido,
daquelas que nenhuma palavra
é capaz de explicar.

Porém, nada permanece.

Nem a brisa,
nem a fumaça da bituca de um cigarro
que se desfaz lentamente ao vento.

Tudo passa.

Independente do tempo.
Independente de quantos natais se sucedam,
a brisa precisa fluir.

Ela é implacável.
Ela é extraordinária.

Chega sem pedir licença
e, por um instante,
faz parecer que ficará para sempre.

Mas uma hora...

ela passa.

E então vem o desafio:

aprender a respirar
depois de algo tão bom.

Seja uma brisa fresca
tocando o rosto em uma tarde qualquer,
ou a fumaça de um cigarro
invadindo lentamente os pulmões,

no fim,
é o mesmo ar que se perde.

E aquele ar
jamais voltará.

Talvez essa seja uma das coisas
mais difíceis da vida:

não aprender a respirar novamente,
mas aceitar que o próximo fôlego
será de um ar diferente.

Porque algumas coisas
passam por nós como uma brisa.

E algumas pessoas também.

Chegam.

Nos ensinam a respirar
de uma maneira que desconhecíamos.

Preenchem espaços
que sequer sabíamos existir.

E, quando partem,
deixam apenas o silêncio.

Um silêncio profundo,
quase sufocante,

enquanto tentamos descobrir
como se respira...

sem elas.

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