A Brisa
Para “A Brisa”, eu escolheria uma epígrafe curta, melancólica e que prepare o leitor para a metáfora do poema: “Algumas pessoas não chegam
A Brisa
Igual a um raio de sol,
veio a mim uma brisa leve,
passando pela janela
em tempos gélidos e sem graça.
Um gargalhar de sensações boas,
uma viagem ao desconhecido,
daquelas que nenhuma palavra
é capaz de explicar.
Porém, nada permanece.
Nem a brisa,
nem a fumaça da bituca de um cigarro
que se desfaz lentamente ao vento.
Tudo passa.
Independente do tempo.
Independente de quantos natais se sucedam,
a brisa precisa fluir.
Ela é implacável.
Ela é extraordinária.
Chega sem pedir licença
e, por um instante,
faz parecer que ficará para sempre.
Mas uma hora...
ela passa.
E então vem o desafio:
aprender a respirar
depois de algo tão bom.
Seja uma brisa fresca
tocando o rosto em uma tarde qualquer,
ou a fumaça de um cigarro
invadindo lentamente os pulmões,
no fim,
é o mesmo ar que se perde.
E aquele ar
jamais voltará.
Talvez essa seja uma das coisas
mais difíceis da vida:
não aprender a respirar novamente,
mas aceitar que o próximo fôlego
será de um ar diferente.
Porque algumas coisas
passam por nós como uma brisa.
E algumas pessoas também.
Chegam.
Nos ensinam a respirar
de uma maneira que desconhecíamos.
Preenchem espaços
que sequer sabíamos existir.
E, quando partem,
deixam apenas o silêncio.
Um silêncio profundo,
quase sufocante,
enquanto tentamos descobrir
como se respira...
sem elas.
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